Capacitação e orientação para uma vida mais saudável 

 

 

Cuidador de idosos, a profissão que mais cresce no Brasil

No Dia Nacional do Cuidador de Idosos, especialista examina o papel que essa ocupação vem ganhando com o envelhecimento da população

Por Marcia Chorro dos Santos, psicóloga*

20 mar 2019, 12h23 - Publicado em 20 mar 2019, 08h34

                                                                                                                                               (Foto: Marcos Colombo/SAÚDE é Vital)

O cuidador tem papel tanto dentro como fora do ambiente hospitalar. 

Segundo dados do Ministério do Trabalho divulgados no final de 2018, houve um aumento de 547% no número de cuidadores de idosos no país – não à toa, o dia 20 de março foi instituído como Dia Nacional do Cuidador de Idosos. Trata-se da profissão que mais cresce por aqui, situação oportuna para refletirmos sobre o papel e a valorização desse profissional.

Tal crescimento é decorrente da modificação demográfica no Brasil. Os brasileiros estão envelhecendo cada vez mais e precisam de apoio no que se convencionou chamar de terceira idade. A expectativa do IBGE é que a população idosa mais do que dobre até 2050, saltando de 9,5% para 21,8% da nossa sociedade.

O envelhecimento costuma trazer consigo diversos impactos à saúde. Falamos de redução de mobilidade, maior risco de doenças crônicas, maior propensão a demências, perda de visão, necessidade de ficar acamado… Essa realidade é um desafio constante para o cuidador. Exige preparo, condições psicológicas e recursos materiais para realizar um trabalho adequado no dia a dia. Isso irá se refletir no bom tratamento e amparo dos pacientes, e no bem-estar deles de modo geral.

Até há pouco tempo, o perfil do cuidador era basicamente de pessoas próximas ao idoso, como um parente sem prática ou conhecimento básico sobre saúde. Diante das mudanças populacionais e na própria constituição familiar, o cuidador profissional vem ganhando terreno e força nos lares, sobretudo por terem respaldo técnico e saberem atender, com responsabilidade, as demandas da pessoa idosa. Hoje inclusive existem entes da família se qualificando para se tornarem cuidadores.

Em termos de qualificação, o profissional precisa buscar capacitação para identificar os principais sinais das doenças mais comuns entre os idosos. Assim, poderá se antecipar a ocorrências indesejadas, que podem ser evitadas.

Além disso, deve ter aptidão para realizar uma avaliação do ambiente familiar a fim de eliminar possíveis riscos à segurança do idoso, bem como saber como agir caso seja preciso recorrer a primeiros socorros.

A qualificação técnica do profissional se torna cada vez mais relevante, pois hoje os próprios idosos e familiares têm acesso a um nível crescente de informações sobre saúde e pesquisam sobre a excelência dos serviços prestados. Além disso, conhecer a história da pessoa cuidada, ter empatia e estabelecer um bom relacionamento dentro do ambiente familiar são fundamentais para o êxito do vínculo.

O cuidador de idosos deve não só ter ou buscar a formação em faculdades e cursos técnicos mas também procurar se atualizar de forma permanente, de modo a estar sempre sintonizado às necessidades do idoso e da família. Do outro lado, os familiares devem estabelecer um diálogo constante com o cuidador, ouvindo-o antes de tomar decisões e compartilhando prioridades e responsabilidades. Tudo para que tenhamos um atendimento efetivo e humanizado.

Fora dos lares, precisamos de políticas públicas concretas para acelerar e ampliar programas e iniciativas de atendimento a idosos, principalmente nas áreas mais carentes do país. Valorizar o cuidador e buscar soluções conjuntas para um envelhecimento saudável são passos importantes para que as pessoas possam viver mais e melhor.

* Marcia Chorro dos Santos é psicóloga e sócia da APOIO, organização que oferece capacitação gratuita a cuidadores na Câmara Municipal de São Paulo