VELHICE NÃO É DOENÇA

São Paulo, 24 de dezembro de 2021.

“De acordo com Alexandre da Silva, tivemos pressão para que a classificação estatística Internacional de Doenças e Problemas relacionados com a saúde (CID-11) passasse a incluir o termo velhice (código MG2A) como uma condição patológica.

Se aprovada, uma pessoa velha passaria a não ser mais considerada saudável, aumentando as conotações e impactos negativos na sua vida. Quem tivesse 60 anos, seria considerado “doente” e, por isso, sujeito a intervenções medicamentos e cirúrgicas.”

Então finalmente no dia 14 de dezembro de 2021, o termo velhice não passaria a vigorar a partir de janeiro de 2022 e passará a valer o termo envelhecimento associado ao declínio de capacidade intrínseca, que seria a incapacidade de organismo humano em manter o equilíbrio de todas as funções corporais.

Fico me perguntando como as pessoas perdem tempo em dar nomes sobre a velhice encarada como doença e não como um processo de envelhecimento natural.

Que medo é esse que se abate sobre as pessoas, que não aceitam a velhice como mais uma etapa deste processo, passamos pelo nascimento, adolescência, fase adulta, maior idade ou melhor idade enfim, ao passarmos dos 60 anos já entramos para uma categoria idosa com alguns direitos adquiridos.

Se somos capazes de aproveitar destes benefícios, porque repudiamos tanto a velhice.

Será que as limitações nos assustam tanto, que não aceitamos estes termos pois não queremos ser tachados de inúteis.

Cabe aqui uma reflexão:

Todos nós chegaremos lá, a não ser que a morte nos chame antes, sendo assim devemos encarar a velhice como uma fase boa e tirar o que há de melhor nela, nossa sabedoria, nossa calma em responder as coisas e não querer acertar tudo de primeira mão, parece que desaceleramos, pois, nosso corpo quer assim e o sábio é aquele que respeita essa disposição.

Podemos aproveitar os momentos que a vida nos proporciona dedicando nosso tempo para realizarmos algo que sempre desejamos e não tínhamos tempo para nos dedicar.

Refletir o que mais nos faz sair da cama, descobrir qual é o nosso IKIGAI como os japoneses mesmo falam, temos que ser investigadores de nossos mais profundos desejos e correr atrás deles porque ninguém vai fazer por nós.

Tirar proveito das marcas do nosso rosto e passar para outras gerações as nossas histórias, pois isso é o que temos de mais precioso. Histórias vividas pela família e compartilhadas com outras gerações, nada mais do que traços e enraizar laços familiares.

Como disse a pouco, aproveitar o tempo para nos aprofundar em estudos filosóficos parece que nessa etapa da vida, nossos hormônios afloram mais para o lado espiritual proporcionando um grão de atenção maior em nossas ações. Elas passam a ter maior importância pelo fato de que entendemos que delas podem afetar a vida do próximo. Começamos a enxergar o outro ser humano de uma forma mais próxima de nós e nos dedicamos a realizar correntes do bem.

Parece que esta fase, nos ensina que fazer o bem e não esperar a recompensa é um dos maiores ganhos que a idade nos traz.

Sendo assim, termino esses pensamentos que me fizeram refletir sobre a discussão da velhice ser uma doença e não uma recompensa. Se paramos para pensar são poucos que tem esse privilégio de chegar a velhice, pois os que não chegaram se foram antes.

 

Reflexões de Maria Elizabeth Bueno Vasconcellos.

( Psicóloga, Pedagoga e Gerontóloga 23 12  2021)